O rapaz não permitiu que a idosa se sentasse no lugar livre ao seu lado e, com um sorriso arrogante, disse: — “Este lugar está reservado para as minhas pernas”, respondeu ele, colocando os pés em cima do assento.
Naquele dia, o autocarro [ônibus] estava completamente lotado.
Os passageiros seguravam-se como podiam para não cair nas curvas. Alguns falavam alto, outros olhavam para os telemóveis [celulares], enquanto alguns suportavam a multidão em silêncio.
Numa paragem, uma senhora idosa com uma bengala subiu lentamente. Cada passo parecia exigir um esforço hercúleo. As pessoas afastaram-se um pouco, mas não havia nenhum lugar realmente livre. Foi então que ela avistou um assento ao lado de um jovem.
O rapaz estava recostado, com as pernas bem abertas, e a sua mochila ocupava o assento vizinho. Dominava quase todo o espaço, como se o autocarro fosse dele. A idosa aproximou-se timidamente.
— Jovem, poderia tirar a sua mala? Gostaria de me sentar…
O rapaz nem sequer respondeu, fingindo que não ouvia.

Passados alguns segundos, a mulher estendeu cuidadosamente a mão em direção à mochila para libertar o espaço. Imediatamente, o jovem deu um salto e gritou:
— Ei! Quem lhe deu permissão para tocar nas minhas coisas?!
O autocarro mergulhou no silêncio. — Eu só queria sentar-me… — sussurrou a idosa.
O rapaz sorriu com arrogância.
— Este lugar está ocupado. — Por quem? — perguntou ela calmamente. — Pelas minhas pernas — respondeu, plantando os pés em cima do estofo.
Em seguida, acrescentou friamente: — E além disso… sinto cheiro a velho vindo de si. Não a quero ao meu lado.
Os passageiros congelaram.
Mas o jovem não imaginava o que estava prestes a acontecer segundos depois…
A continuação no primeiro comentário.
Enquanto o autocarro continuava o seu caminho sob um silêncio pesado, uma voz pequena ecoou lá de trás.
— Senhor Hard… pode sentar-se no meu lugar.
Todos os olhares se voltaram para um rapazinho de cerca de oito anos, sentado junto à janela. Vestia um uniforme escolar que lhe ficava demasiado grande e segurava a mochila ao colo.
A idosa sorriu-lhe, visivelmente comovida. — Não, meu filho, fica sentado. Tu também estás cansado… Mas a criança abanou a cabeça. — A minha mãe diz que devemos respeitar sempre os mais velhos.
O autocarro inteiro permaneceu em silêncio.
O jovem continuou a sorrir com escárnio. — Bravo, herói — ironizou. O menino não respondeu. Apenas pegou na mão da idosa para a ajudar a caminhar até ao lugar.
Nesse momento, o motorista imobilizou o veículo no sinal vermelho e virou-se bruscamente para trás. — Tu, o rapaz de azul… sai do autocarro.
O sorriso arrogante desapareceu instantaneamente do rosto do jovem. — O quê?! Porquê?! O motorista olhou-o com frieza. — Porque vários passageiros chamaram-me a atenção para o teu comportamento. Και κυρίως [E acima de tudo] porque essa senhora… é a minha mãe.
Um suspiro de choque percorreu todo o autocarro. A idosa baixou lentamente a cabeça, envergonhada com tanta atenção. O rapaz empalideceu. — Eu… eu não sabia… — Exatamente — retorquiu o motorista. — Não sabias nada sobre ela. E mesmo assim, decidiste humilhá-la à frente de toda a gente.
As portas abriram-se com um silvo mecânico. Sob os olhares desprezíveis dos passageiros, o jovem agarrou na mochila e desceu lentamente do autocarro, sem proferir uma única palavra.
E enquanto o autocarro retomava a marcha, o menino cedeu finalmente o lugar à idosa, que, com um sorriso grato, lhe acariciou suavemente o cabelo.