Dizem que a idade é apenas um número. A lógica nos convence disso, mas para mim, chegar aos 58 anos trouxe um peso que absolutamente ninguém ao meu redor imagina.
Sempre fui o tipo de mulher que colocou a carreira, as obrigações familiares e a responsabilidade acima de qualquer outra coisa. Fui o porto seguro da minha família, a profissional incansável no trabalho e a amiga que sempre tinha uma palavra de apoio.
No meio de tanto barulho e correria, o meu “eu” — as minhas próprias necessidades de afeto, intimidade e amor — acabou ficando sempre em segundo plano. Nunca procurei um relacionamento sério e nunca senti aquela urgência de me entregar a alguém. E assim, os anos correram.
Passei pelos 30, pelos 40, pelos 50… E hoje, aos 58 anos, continuo virgem.
Não sinto vergonha disso. É simplesmente a minha trajetória, a minha escolha — ou, talvez, a minha falta de escolha. Sempre me senti realizada com o que tinha: minhas amigas, minhas viagens, minha independência. No fundo, acreditava que a minha felicidade não dependia de homem nenhum.
Mas, nos últimos três meses, algo virou uma chave dentro de mim.
Tudo começou durante uma viagem. Eu estava em um passeio de barco, observando a imensidão do mar, naquele exato momento em que o tempo parece congelar. Aquela cena, registrada na minha foto, me trouxe uma sensação avassaladora de liberdade. Foi ali que percebi, pela primeira vez na vida, um vazio que eu não conhecia. Uma vontade de algo mais.
Desde aquele dia, uma pergunta martela na minha cabeça e não me deixa dormir:
“Será que eu errei?”

Será que me protegi demais atrás da carreira e da família e acabei perdendo uma das partes mais bonitas da experiência humana? Será que a minha vida está incompleta? Por nunca ter conhecido a intimidade física e emocional com alguém, será que deixei de conhecer uma versão de mim mesma?
E a pior parte: aos 58 anos, será que já é tarde demais? Tarde demais para aprender a amar, para ser abraçada, para me permitir vulnerável nos braços de outra pessoa?
Essa dúvida tem sido um tormento silencioso. Ela questiona tudo o que construí e as certezas que guardei por décadas.
Mas, por outro lado, esse incômodo me faz sentir incrivelmente viva. Acendeu em mim um desejo urgente de mudar, de sair da minha zona de conforto e de me arriscar. Não sei o que o futuro reserva ou se algum dia terei essa resposta, mas cansei de ser apenas a fortaleza de todo mundo. Às vezes, a gente também precisa ser o mar que se deixa levar pela correnteza.