O último desejo do prisioneiro era simples: ver o seu cão uma última vez. Mas assim que o animal entrou na cela, algo inesperado aconteceu.

by banber130389
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O seu último pedido antes da sentença final — que significaria o fim da sua vida — era simples: queria ver o seu pastor alemão. O prisioneiro aceitara o destino com uma resignação silenciosa.

Durante doze longos anos, acordou todos os dias na cela fria B-17. Fora acusado de um crime que jurava não ter cometido, mas ninguém acreditou.

No início lutou, recorreu, contratou advogados… até que, cansado, deixou de resistir. Restou-lhe apenas esperar.

A única preocupação que nunca o abandonou foi o cão. Não tinha mais família. O pastor alemão não era só um animal de estimação: era a sua casa, a sua companheira, a única presença leal. Conhecera-o ainda cachorro, tremendo num beco, e desde então nunca se separaram.

Quando lhe perguntaram qual seria o último desejo, não pediu refeições requintadas, charutos nem companhia de um padre. Limitou-se a dizer:

— Quero ver o meu cão. Só mais uma vez. O pedido gerou desconfiança. E se fosse um plano de fuga? Mesmo assim, no dia marcado, trouxeram-no para fora. Sob a vigilância dos guardas, ele esperou.

Assim que o pastor alemão o viu, soltou-se e correu na sua direção. O tempo pareceu parar. O cão atirou-se para os braços do dono, derrubando-o no chão. Pela primeira vez em muitos anos, o prisioneiro não sentiu o peso das correntes nem o frio das paredes.

Apenas calor. Abraçou-a com força, afundou o rosto no pelo espesso e chorou como nunca. O cão choramingava, como se entendesse que o reencontro seria breve.

— Minha menina… minha fiel companheira… — murmurou. — O que será de ti sem mim?…

As mãos tremiam ao acariciar-lhe as costas, como se quisesse gravar cada detalhe na memória. Com voz entrecortada, pediu perdão:

— Perdoa-me por te ter deixado sozinha… Nunca consegui provar a verdade… Mas tu sempre precisaste de mim. Os guardas observavam em silêncio. Até os mais duros desviaram o olhar. Naquele instante, já não viam um criminoso, mas um homem a despedir-se do único laço verdadeiro que tinha.

Ele ergueu o olhar para um dos guardas e, com voz fraca, suplicou:

— Cuide dela… leve-a para casa. Eu aceitarei o que vier. O silêncio ficou pesado. O cão latiu alto, como num protesto desesperado. O prisioneiro abraçou-a uma última vez, apertando-a com toda a força que lhe restava, e despediu-se para sempre.