No asfalto, ao lado de um contentor de lixo, notei um monte estranho, rosa-acastanhado, e achei que fosse apenas lixo — até que começou a se mexer.

by banber130389
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Pela manhã, saí para o quintal quase no automático, segurando apenas o celular e uma xícara de café. O chão ainda estava molhado pela chuva da noite anterior, o asfalto escuro e o ar com aquele cheiro característico de terra úmida.

Eu caminhava em direção às lixeiras quando, de repente, notei uma mancha estranha no caminho: alongada, rosada e acastanhada.

No asfalto, bem ao lado do contêiner de lixo, vi aquele monte esquisito. Minha primeira reação foi achar que era apenas lixo… até que aquilo começou a se mexer. No início, nem parei; achei que alguém tivesse jogado comida fora.

Sério, foi o meu primeiro pensamento: parecia que alguém tinha despejado uma panela inteira de espaguete cozido no chão. Estava ali, amontoado de forma irregular, grudado e úmido, como se tivesse acabado de sair da água. Cheguei mais perto para desviar e foi nesse momento que um calafrio percorreu meu corpo.


A Massa que Respirava

A massa começou a se mover. Foi então que, horrorizada, percebi que aquilo não era macarrão, mas sim… algo vivo.

Fiquei olhando, sem entender direito o que era aquilo que me causava tanto mal-estar. Logo a ficha caiu: aquele “monte” se movia lentamente.

Não era um movimento brusco ou frenético, mas como se o corpo inteiro estivesse respirando. Por dentro, linhas finas se entrelaçavam e se deslocavam levemente, formando um único organismo vivo.

Uma onda de nojo e um frio estranho tomaram conta de mim. Dei um passo para trás e, instintivamente, comecei a gravar. Só conseguia pensar em uma coisa: isso não pode ser real. Eu estava no meu próprio quintal diante de algo que simplesmente não deveria estar ali.


A Resposta Amarga da Internet

Depois, entrei na internet e digitei a primeira coisa que me veio à cabeça: “parece espaguete, mas se mexe”. Quase instantaneamente, entendi que teria sido melhor nem ter pesquisado.

Não era lixo, nem comida. Era um nó de minhocas. Dezenas, talvez centenas de corpos entrelaçados em uma única massa móvel.

Elas saíram após a chuva, ficaram sem oxigênio suficiente no solo e se reuniram bem ali, debaixo da minha janela, naquela bola viva. Abaixei-me, olhei para a tela do celular, depois para o asfalto e comecei a tremer de verdade. Agora eu sabia exatamente o que era. Desde aquele dia, não olho mais para o chão de forma automática.

Às vezes, você sai para o quintal pensando em coisas banais e acaba encontrando algo que te causa um nó no estômago que demora a passar.