‘Comprei esta casa por uma pechincha porque os vizinhos a evitavam. Uma semana depois, percebi que eles estavam certos…

by banber130389
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Comprei a casa de veraneio em Sintra por um preço que parecia um erro de digitação. Era uma construção centenária, com azulejos pintados à mão e um jardim que parecia devorar as paredes.

O único detalhe era uma porta de carvalho maciço no corredor dos fundos, selada com quatro trincos de ferro. “Estrutura instável”, disse o corretor sem fazer contato visual.

Na primeira semana, o silêncio era absoluto. Na segunda, os arranhões começaram. Não eram sons de ratos. Era algo pesado, como unhas de metal raspando contra a madeira, sempre às 03:14 da manhã.

Ontem, a curiosidade venceu o medo. Com uma torquês e muita força, rompi os lacres. A porta não levava a um porão comum. Atrás dela, havia uma escadaria em espiral que descia muito mais do que a fundação da casa permitiria.

No fim dos degraus, encontrei uma sala iluminada por velas que nunca derretiam. No centro, uma mesa de jantar posta para três pessoas. A comida ainda soltava fumaça, como se tivesse acabado de ser servida.

Ao lado do prato principal, havia um envelope amarelado com o meu nome. Dentro, um bilhete escrito com a minha própria caligrafia: “Não suba as escadas. O que está lá em cima agora não é você.”

Nesse exato momento, ouvi passos pesados no andar de cima. Os mesmos passos que eu dou quando estou com pressa. A cadeira acima de mim foi arrastada e uma voz — a minha voz — gritou lá de cima: “Querido, você viu onde deixei as chaves do porão?”

Eu ainda estou aqui embaixo. E a porta que eu arrombei acabou de ser trancada por fora.