Esta pequena varanda serviu de arrecadação durante anos — dois meses depois, os vizinhos pediam o contacto do designer

by banber130389
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Quando Anna e Markus se mudaram para o apartamento em Hanôver, há sete anos, imaginaram imediatamente como poderiam aproveitar a pequena varanda. Queriam tomar ali o café da manhã, cultivar algumas ervas aromáticas e desfrutar das noites mais quentes.

No entanto, os planos foram sendo adiados. Primeiro apareceu uma caixa que não cabia dentro de casa. Depois chegaram um estendal dobrável, vários vasos vazios, restos de tinta e uma bicicleta antiga. Com o passar do tempo, a varanda transformou-se num depósito improvisado.

A certa altura, já quase não era possível abrir completamente a porta.

“Colocávamos ali tudo o que não tinha um lugar definido no apartamento”, recorda Anna. “O problema é que nunca voltávamos para organizar as coisas.”

A decisão de mudar surgiu depois de uma chuva intensa. Uma pequena infiltração junto à janela molhou algumas caixas e estragou parte do que estava guardado. Naquele fim de semana, o casal percebeu que já não fazia sentido continuar a desperdiçar aquele espaço.

A varanda parecia maior assim que ficou vazia

Anna e Markus começaram por retirar todos os objetos. A bicicleta foi reparada e levada para a cave do edifício. Alguns vasos foram oferecidos aos vizinhos, enquanto papéis, embalagens antigas e objetos partidos seguiram para a reciclagem.

Quando terminaram, tiveram a primeira surpresa: a varanda não era tão pequena quanto parecia.

Sem as caixas e os móveis acumulados, havia espaço suficiente para criar uma zona de descanso. Ao mesmo tempo, o estado real das superfícies tornou-se evidente. A tinta das paredes estava a descascar, existiam pequenas fissuras em redor das janelas e os antigos mosaicos tinham perdido o brilho.

Como viviam numa casa arrendada, apresentaram o projeto ao senhorio antes de iniciar qualquer intervenção. Não podiam alterar a fachada, substituir as janelas ou modificar o parapeito. No entanto, receberam autorização para reparar e pintar as paredes, além de colocar um revestimento removível sobre o pavimento existente.

Os primeiros trabalhos foram os menos visíveis. O casal raspou a tinta solta, limpou as paredes e preencheu cuidadosamente as fissuras. Depois aplicou uma tinta resistente à humidade num tom branco ligeiramente quente.

Esta fase demorou quase três semanas. Anna e Markus trabalhavam apenas aos fins de semana e tiveram de esperar vários dias para que os materiais secassem corretamente.

O projeto foi pensado centímetro a centímetro

O principal desafio era a largura limitada da varanda. Os conjuntos tradicionais de mobiliário exterior bloqueavam a passagem e faziam o espaço parecer ainda mais apertado.

Antes de comprar qualquer coisa, Anna desenhou diferentes possibilidades numa folha de papel. Em seguida, marcou no chão as dimensões de cada móvel com fita adesiva. Dessa forma, conseguiu perceber quais soluções funcionariam na realidade.

A escolha mais importante foi um banco estreito feito à medida. Um carpinteiro local construiu a estrutura com painéis adequados para áreas exteriores. Sob o assento foram criados compartimentos para guardar a terra dos vasos, o regador e algumas ferramentas.

Assim, a varanda continuou a oferecer espaço de arrumação, mas sem voltar a parecer um depósito.

Sobre os mosaicos antigos, o casal colocou módulos de pavimento com acabamento semelhante a madeira clara. As peças encaixavam umas nas outras e podiam ser retiradas sem danificar o chão original.

Um pequeno conjunto dobrável, composto por uma mesa redonda e uma cadeira leve, completou a zona de estar. Quando não estava a ser utilizado, podia ser fechado e encostado à parede.

Para dar cor ao espaço, Anna escolheu almofadas em tons de azul-petróleo e amarelo-mostarda. As plantas foram distribuídas pela janela, pelo parapeito e por dois suportes de parede. Em vez de espécies delicadas, optaram por ervas aromáticas, lavanda e plantas resistentes às condições da varanda.

Também instalaram um candeeiro recarregável. Dessa forma, não foi necessário abrir a parede nem criar uma nova ligação elétrica.

A transformação demorou oito semanas

A renovação completa levou cerca de dois meses. Houve pausas provocadas pela chuva e o banco feito à medida demorou mais tempo do que o previsto a ser entregue.

O investimento total ficou próximo dos 1.700 euros. A peça mais cara foi o banco com arrumação. O restante valor foi utilizado na tinta, nos materiais de reparação, no pavimento, na mesa, na cadeira, nas plantas e nos acessórios.

Como Anna e Markus fizeram grande parte do trabalho, conseguiram manter o orçamento sob controlo.

Quando tudo ficou pronto, a antiga área de arrumos tinha desaparecido. No seu lugar havia uma varanda luminosa, organizada e confortável. Apesar de continuar com exatamente as mesmas dimensões, parecia muito mais ampla.

A mudança não passou despercebida. Os moradores do prédio em frente começaram a reparar nas novas plantas e nas almofadas coloridas. Poucos dias depois, uma vizinha tocou à campainha e perguntou qual tinha sido o designer responsável pelo projeto.

Anna sorriu antes de responder:

“Não houve designer. Medimos tudo várias vezes e só comprámos aquilo que tinha realmente um lugar.”

Atualmente, o casal utiliza a varanda quase todos os dias. Pela manhã, tomam ali o primeiro café. Ao fim de semana, o banco transforma-se num pequeno canto de leitura. Os objetos necessários continuam guardados no exterior, mas agora permanecem escondidos sob o assento.

Para Anna e Markus, a principal conclusão foi simples: o verdadeiro problema nunca tinha sido o tamanho da varanda. O espaço parecia inutilizável porque durante anos fora ocupado por coisas guardadas sem qualquer organização.

Só depois de retirarem tudo conseguiram perceber o potencial que sempre estivera ali.