Ninguém tinha coragem de entrar neste banheiro sem luvas. Três meses depois, ele estava irreconhecível.

by banber130389
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Quando Lena abriu a porta do banheiro pela primeira vez, parou na soleira. Ela já usava luvas de borracha amarelas, embora a intenção fosse apenas tirar algumas fotos. O ambiente cheirava a mofo e umidade: o teto estava tomado por manchas escuras, o reboco caía aos pedaços e o rejunte dos antigos azulejos estava quase preto. A banheira velha acumulava ferrugem e a pia estava completamente rachada. Ao notar canos tão corroídos que já pingavam, seu marido, Tobias, concluiu que a primeira providência era fechar o registro de água imediatamente.

O casal havia comprado aquele apartamento da década de 1960 por um preço acessível, justamente pela falta de manutenção de quase dez anos. Enquanto os outros cômodos precisavam apenas de pintura e lixamento do piso, o banheiro era um desastre maquiado. O antigo dono havia escondido vazamentos e mofo sob camadas de tinta e silicone — um problema que o corretor também minimizou na época das visitas.

A ideia inicial de Lena e Tobias era fazer uma reforma rápida de três semanas. No entanto, um amigo pedreiro logo os alertou: havia tanta umidade acumulada atrás das paredes que colocar azulejos novos sobre aquilo seria um desperdício.

Ao iniciarem a demolição, o verdadeiro estrago apareceu. O reboco se desfazia com as mãos, os azulejos soltavam quase sem esforço e os vazamentos antigos nas tubulações haviam se espalhado. O cronograma foi descartado. Eles precisaram contratar um encanador para refazer toda a rede de água, o que elevou bastante os custos. Para compensar, o casal abriu mão de luxos que haviam planejado, como piso aquecido e um box sob medida, focando em investir naquilo que fica invisível, mas garante segurança estrutural.

Após a troca dos canos, o banheiro passou quase duas semanas secando com a ajuda de máquinas industriais. O processo de reconstrução recomeçou com a instalação de placas antiumidade e impermeabilização total. Para evitar gastos extras, eles mantiveram o layout original da pia e da banheira.

Na decoração, Lena decidiu não apagar totalmente o passado: escolheu azulejos finos e verticais num tom suave de verde-sálvia, em homenagem ao verde original do banheiro. O restante das paredes ganhou azulejos brancos quentes, combinados com um piso cinza claro e um elegante móvel de carvalho, criando um visual moderno e acolhedor.

Houve apenas um grande susto na reta final: a vizinha do andar de baixo notou um vazamento no teto. Lena temeu que os canos novos estivessem com problemas, mas era apenas um resquício de água velha que escorreu durante a remoção do contrapiso.

Três meses após o primeiro dia de obra, o projeto finalmente foi concluído. A transformação foi tão radical que a vizinha, ao ver o resultado, não conseguia acreditar que se tratava do mesmo cômodo.

Lena, por sua vez, não jogou fora as luvas de borracha amarelas. Ela as dobrou e guardou na última gaveta do móvel novo — não por medo de tocar em algo, mas como uma lembrança de como aquele espaço era quando tudo começou.