Duas irmãs gémeas siamesas que, em apenas dois meses, conseguiram atrair quase 300.000 seguidores no Instagram, revelaram-se uma farsa: elas não existem na realidade, sendo figuras criadas inteiramente por Inteligência Artificial (IA).
Valeria e Camila, como se apresentam na conta @itsvaleriaandcamila, surgem como siamesas deslumbrantes que partilham o mesmo corpo. Publicam constantemente fotografias e vídeos em biquíni, roupas reveladoras e poses provocantes, rodeadas por amigos igualmente “perfeitos”.
Além disso, através de stories, respondem a perguntas sobre o seu quotidiano e a experiência de viver num corpo partilhado, revelando até detalhes sobre a sua vida amorosa.

As próprias negam categoricamente ser um produto de IA. “Movemo-nos, falamos, obviamente não somos inteligência artificial”, afirmam num vídeo recente, rindo para a câmara. No entanto, especialistas confirmam que as imagens e vídeos são fabricados.
Os sinais que denunciaram a fraude
Andrew Hulbert, engenheiro de prompts e consultor de IA, explica que a narrativa em torno das duas foi construída com o único objetivo de maximizar a interação. “É a história perfeita, sobre pessoas perfeitas, para gerar o resultado perfeito em engagement“, observa.

Segundo o especialista, os principais sinais que denunciam a IA são:
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Aparência excessivamente estilizada: Traços impecáveis e simetria absoluta.
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Olhar “plástico”: Olhos que carecem de profundidade natural.
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Pele sem poros: Uma textura demasiado lisa e perfeita.
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Inconsistências nos detalhes: Pequenas falhas nas extremidades, como dedos e orelhas.
“A inteligência artificial ainda não atingiu a consistência perfeita. Em algum detalhe, a construção acaba sempre por ser traída”, explica Hulbert. Outro ponto suspeito é a iluminação: as fotos carecem de sombras ou reflexos naturais.
Numa imagem num café, utilizadores notaram que o menu ao fundo continha texto incompreensível — uma falha clássica da IA.
Uma fantasia digital com impactos reais
De acordo com o enredo criado, Valeria e Camila têm 25 anos, cresceram na Flórida, possuem dois corações e dois estômagos, e afirmam que só saem com homens que agradem a ambas.
Estas respostas fazem parte de um guião bem estruturado para alimentar a ficção e o interesse do público.
Especialistas alertam que estes modelos digitais podem afetar profundamente a perceção da beleza. A psicoterapeuta Charlotte Fox Weber salienta que os “influencers de IA” são algoritmicamente otimizados.
“A exposição constante a estas imagens desloca silenciosamente os limites do que consideramos uma beleza normal, fazendo com que os corpos reais pareçam insuficientes”, sublinha.
O fenómeno dos influenciadores digitais está em rápida expansão, criando novos desafios sobre autenticidade, desinformação e padrões estéticos. Como este caso demonstra, distinguir o real do artificial está a tornar-se uma tarefa cada vez mais complexa.
@shivalibest These conjoined twin ‘influencers’ have taken Instagram by storm. But there’s a huge catch…they’re not real 😳 #technews #ai #aiinfluencers ♬ Internet Girl – KATSEYE