A viúva visitava o túmulo do marido regularmente, mas antes de sair fazia sempre algo incomum — até que, um dia, alguém resolveu perguntar porquê.

by banber130389
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Como um relógio, a jovem viúva aparecia no cemitério todas as semanas. O ritual era sempre o mesmo: ela polia o mármore da lápide até brilhar, renovava as flores com delicadeza e se perdia em alguns minutos de um silêncio profundo, quase solene.

Um homem, que também frequentava o local para visitar seus próprios entes, observava a cena de longe há meses. Ele admirava o zelo da mulher, mas um detalhe o intrigava profundamente: ao ir embora, ela caminhava em linha reta, com os olhos fixos no horizonte, sem jamais olhar para trás.

A curiosidade finalmente venceu a discrição. Certo dia, ele a abordou na saída:

— Com licença, senhora. Não pude deixar de notar o carinho com que cuida da memória de seu marido. É admirável. Mas… notei algo curioso: a senhora nunca olha para trás ao se retirar. Posso perguntar por quê?

A viúva parou, arqueou a sobrancelha e permitiu que um sorriso travesso surgisse em seu rosto. Ela o encarou nos olhos e respondeu:

— Ah, meu caro… veja bem. Em vida, meu marido sempre brincava que minhas curvas eram tão perigosas que seriam capazes de ressuscitar os mortos.

Ela fez uma pausa dramática, ajeitou o vestido e completou com uma piscadela:

— Prefiro não correr o risco de testar a teoria hoje.

Dito isso, ela se afastou com elegância, deixando o homem parado entre o espanto e a gargalhada, enquanto o silêncio do cemitério permanecia — felizmente — intacto.