Desde que nos casámos, o meu marido, Tom, leva a sua família de férias para uma ilha anualmente. Durante doze anos, sem exceção, ele passa esse período com eles – mas sem mim. Eu sou sempre deixada para trás, enquanto eles desfrutam do sol e constroem memórias das quais eu nunca farei parte.
«Porque é que não anulas essa viagem e vamos todos juntos? As crianças iam gostar tanto», sugeri-lhe, mexendo automaticamente na salada à minha frente. A minha mente vagueava, pensando em todos os momentos que já perdi.

«Por que razão faria isso?», retorquiu ele de forma ríspida, com a testa franzida. «As crianças são novas e seria demasiado confuso. Quando crescerem, podemos falar sobre o assunto, mas agora não é a altura.»
«E eu?», questionei, com a voz fraca, mas carregada de uma mágoa que mal podia esconder.
«Alguma vez pensaste como é que eu me sinto? E tens a certeza de que a tua mãe não acha estranho eu estar sempre ausente?»
A resposta dele nunca veio e, por um instante, pareceu que o mundo inteiro tinha suspendido a respiração.